Processo de aprendizagem da cultura visual
Sabemos que desde os tempos mais remotos o homem busca uma relação harmoniosa com seu meio, sempre buscando mecanismos para sua estabilidade na terra.
Na pré-história não foi diferente. Os mesmos sempre andavam em grandes grupos nômades, ou seja, não tinha um local especifico para se estabilizar e fincar suas raízes, muitas vezes passavam fome e frio e com essa necessidade de se locomover de um local para outro, de suprir suas necessidades e de fazer uma breve comunicação, fez-se necessário à criação de símbolos e gestos para uma relação precisa e emergente entre os integrantes do bando.
E esse método comunicativo resultou nas chamadas pinturas rupestres, essas pinturas eram uma espécie de ritual, ou seja, fazendo o desenho de um animal nas paredes das cavernas eles estariam praticamente fazendo uma armadilha para aquele animal, como se a metade do serviço de captura já estivesse concluído. O texto enfatiza e destaca a importância dos símbolos para os primitivos “Os símbolos foram os meios pelos quais o homem conseguiu sair do estado animal de inconsciência, para a primeira fase de consciência”.
Enfim, foram anos e anos de muita experiência e descobertas que fizeram com que mesmo em condições adversas os povos pré-históricos resistissem há varias dificuldades e desafios.
Mas, podemos parar pensar e refletir sobre os reais motivos de se estudar arte. Mas, afinal qual a necessidade de se estabelecer laços com a arte? Qual sua contribuição para a nossa vida social?
Podemos dizer que desde sempre a necessidade de se relacionar existiu e cada época dispõe de recursos que contribuem para a nossa relação e convivência, assim como em plena contemporaneidade do século XXI as nossas ferramentas são essenciais, as ferramentas como a pedra lascada, ossos de animais e barro para a construção das pequenas casas dos grupos já sedentários também fazem-se presentes e imprescindíveis uma análise desse contexto.
E para uma boa relação e entendimento dessas questões históricas é precípua uma relação e cotejo entre os acontecimentos do passado para assim poder entender melhor o presente.
E é exatamente isso, que o ensino da arte pressupõe para a nossa sociedade, essa busca e compreensão dos fatos que antecederam o nosso presente e ainda, despertar o senso critico e nos instigar a pensar sobre certos pontos e objeções que surgem no nosso dia a dia. O texto disponível reforça essa prática “A arte é inerente ao ser humano, um veiculo pelo qual motivações estéticas individuais ou de um grupo de pessoas vem a ser expressas num contexto social em um determinado tempo”.
Mas, sabemos que os ensinos de arte, bem como seus profissionais são visto com outros olhos, a arte como disciplina de recreação, onde estão inclusas somente as práticas de pintura, desenho e colagem, e o professor com “professor bonzinho” e que a arte como disciplina “não reprova”.
“Contudo, é preciso afirmar que uma das principais “utilidades” para o ensino de artes é a democratização do acesso aos patrimônios”.
Porém, podemos dizer que esse paradigma criado há muitos anos está aos poucos se desfazendo, hoje, temos profissionais aptos a trabalhar e alunos cada vez mais conscientes da fundamental importância da arte como ensino e transmissão de conhecimento.
Dentro da minha relação com artes visuais, percebo que a situação mudou muito, quando estudava de 5ª a 8ª série, o ensino de artes começava a dar seus primeiros passos rumo a sua estabilidade e reconhecimento como disciplina, mas, ainda tinha sua metodologia voltada para um método antigo, aquele que os alunos se atinham em pintar e desenhar. Quando cheguei ao ensino médio, percebi uma mudança radical nos procedimentos metodológicos de ensino, o que antes era voltado para a pintura e desenho passou a girar em torno de técnicas e estudos das maiores civilizações que tinha a arte como primazia, como Arte egípcia, romana e movimentos como o Renascimento.
No ensino superior em arte, compreendemos a grande proporção que é a arte como ciência, compreendemos que ela não se resume em produções voltadas para a pintura e desenho, percebemos que ela é fundamental para revolucionar nosso censo critico, estudar arte é de grande relevância para o nosso engrandecimento pessoal e humano.
Portanto, para que essa tabu de fato se quebre, temos que investir mais em educação com ênfase principalmente voltada para a área de artes, bem com investir na formação pedagógica dos nossos profissionais para que assim, tenhamos uma sociedade muito mais consciente e muito menos preconceituosa no que diz respeito ao estudo das artes visuais.
Autor: Sâmyk Farias

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